31/05/2010

Caro Joca,

Não é tão fácil entender
porque o raio que ilumina é diferente em você.
Ilumina a paz, a glória e a beleza de outros dias,
quando estava ao seu lado era feliz e sabia.

É tão simples para você
ser feliz, se olha para uma pedra uma flor vê.
Transforma uma lágrima num suco de muita risada,
é time, é firme, é forte, é o choro que dura nada.

Nós dois temos tanto em comum,
nas piadas mais infames, nos gestos incomuns,
se eu te amo eu me amo e eu me amo e amo tanto,
só consigo estar comigo se estiver com você.

Não é tão ruim não te ter,
quão mais longe nós estamos mais eu sinto você,
e percebo o tesouro que tenho em minha casa
e anseio a cada instante em voltar para você.

Mas a nossa hora vai chegar.
Os sinos do relógio se tocam que estão a demorar,
e dobram de muita risada, achando que de nós judiam,
mas não sabem que o que sinto agora é aquilo que mais queria.

18/05/2010

Analisando essa asneira hereditária

Fico pensando no conteúdo de algumas músicas populares...
Será que quanto mais imbecil maior o sucesso da canção ?
E os festivais tão impressionantes em que habitavam chico buarque e afins ?

É a era da cultura pop de massa, vazia, onda a rima substitui a lógica, vejamos um exemplo de circularidade na análise. Assumimos que um argumento apresenta circularidade quando ele não é capaz de fundamentar propriamente uma relação de causa e consequência e explica uma coisa a partir dela mesma. Vejamos um exemplo:

"Analisando essa cadeira hereditária quero me livrar dessa situação precária...
Onde o rico cada vez fica mais rico,
E o pobre cada vez fica mais pobre,
E o motivo todo mundo já conhece
É que o de cima sobe e o de baixo desce"

Sinceramente, qual a lógica da afirmação acima ??
Nenhuma, trata-se de uma análise circular.
É o mesmo que dizer que o motivo para que o pobre cada vez fique mais pobre é que o pobre fica cada vez mais pobre. E o inverso para o rico, que fica cada vez mais rico por ficar mais...  rico !

Em primeiro lugar não é verdade que a desigualdade tem aumentado, o governo lula tem um programa social muito forte que aumentou significativamente o salário mínimo e criou um programa social robusto. (criou não, ampliou o programa do FHC)

Mas essa discussão foge ao escopo do post...

Bom xi bom xi bom bom bom para todos !!

PS: Não tenho certeza do que isso quer dizer, mas tenho a impressão que é algo bom.

09/05/2010

Blues para meu vizinho

Tenho um vizinho que só sabe uma frase todo dia é assim.
Não importa o caso acho que o acaso só o faz repeitr.
O assunto pode ser política, religião.
Não importa sua raça, sexo e opinião.
Vai dizer:
Legal, cara.

Ele me liga e pergunta: e aí como é que foi seu dia ?
Eu conto que perdi o meu emprego e tô numa fria.
Então espero que me enrole com qualquer consolação.
Me diga: a vida é boa fique firme meu irmão!
Mas me diz:
Legal, cara.

19/04/2010

Rosa dos ventos

Rosa dos ventos
vem me guiar,
me ensine o caminho,
sozinho não sei andar.
Estou perdido,
e preciso de alguém
que ilumine minha trilha,
que termine o vai-vem.

Rosa da vida
traz o perfume,
cante uma música
que me deixe imune
de um vírus terrível
que é não saber amar,
rosa diga que fala
e que vai me ajudar.

Rosa da sorte,
se eu for tropeçar,
que caia num travesseiro
de pena de ganso
e à beira do mar.
Traga bons ventos
para me inspirar,
se eu der beijo num sapo
faça uma bela princesa virar.

Rosa da música
me coloque no tom,
traz cadências perfeitas,
faz da vida um fá.
De sol em sol
confie em si,
mi diz assim
que não vai dar ré
e tudo vai dar pé.

22/03/2010

Cabelos brancos

Fios de cabelos brancos
não encerrem a plenitude
de meus vinte poucos anos.

Todo dia no espelho
está marcado nosso encontro,
está presente em meu cabelo
e também em meu queixo, e me queixo:

Como pode a barba mal feita,
que nem cresce em toda parte,
ter então cabelos brancos?
ser então começo e fim?

Nessa pergunta volto a mim,
e me percebo por inteiro.
Sou, da vida, a metade
que não tem explicação.

A outra metade deixo
para os cientistas sem espelho.
Passam a vida estudando,
nas mesinhas debruçando,
sem, contudo, perceber
o clarear de seus anos.

19/03/2010

O dia que a guerra parou

Pela primeira vez, o clima em todo o planeta seria mesmo. Não mais haveria a neve em contraposição ao sol, nem o deserto de uns, nem a floresta dos outros. Os mais variados climas e vegetações, que diferenciam os países e dentro deles, dariam lugar a uma homogênea e generalizada sensação de pânico.
No princípio parecia apenas uma brincadeira de pessoas desocupadas e engenhosas, mas o tom crescente das ameaças, vindo de todos os lados e em todas as línguas, fazia nascer uma interrogação do México ao Japão. Vídeos brotavam na internet, a transmissão do programa favorito na televisão era subitamente interrompida, estava nos outdoors, em canções na rádio, nos teatros, e, principalmente, na boca do povo.
As ameaças atingiram os quatro cantos da terra, até mesmo ilhas minúsculas que viviam ainda isoladas do suposto homem desenvolvido. Tão isoladas que não tinham até então um meio de se comunicar com o resto do mundo, isso é, praticavam um dialeto ainda desconhecido. Pesquisadores ligados à área da linguística foram enviados aos destinos mais remotos a fim de aprender estes dialetos, não pela potencial ajuda bélica dos arcos e flechas desses povoados, inúteis frente à nova ameaça, mas sim para descobrir se estes locais tão remotos também receberam sinais. A confirmação ratificou o que já era do senso comum àquela altura.
A movimentação de luzes fora do comum no céu anunciava o pior. Era verdade, os ETs invadiriam a terra.
Muito embora a questão da faixa de gaza ainda não estivesse decidida naquele ano de 2.100, ela passaria a ser um problema irrisório, isso porque se judeus e palestinos não se acertassem naquele momento seriam esmagados. E a questão da faixa de gaza passaria a ser disputada por marcianos, que diziam ser ali a terra prometida por Marcianés, e os jupterianos. Foi esse o primeiro encontro improvável na terra (união no oriente médio, quem diria?), e a questão da faixa de gaza tornou-se irrelevante diante da ameaça maior, dos ETs, que prometiam começar sua ação pela terra prometida.
Como os Estados Unidos nem a Europa foram ameaçados a princípio, não deram crédito. E mesmo o início das ofensivas dos ETs a destruir o Oriente Médio não criou grandes sobressaltos nos comandos militares dos países mais desenvolvidos.
Quando o primeiro disparo de laser atingiu a peruca branca do presidente americano, na casa de mesma cor, ficou cristalino que era realmente uma ameaça global, agora sim poderíamos ter certeza. Os ataques dos ETs eram tão coordenados que os humanos logo perceberam que a única forma de combatê-los seria a união de todo o planeta. O intercâmbio de tecnologia, informação, armas, técnicas de guerra, era a única forma de o mundo reagir, e assim o foi. Diante de forças nunca antes vistas, o planeta abriu mão de suas desavenças, os recursos foram todos colocados numa mesma conta e distribuídos por todo planeta em hospitais, reconstrução civil, escolas etc. Fazia mister uma língua única para os soldados das diversas nações que lutavam lado a lado nas frentes contra o mal. O mundo todo passou a falar o Esperanto. Língua da paz, destituída de qualquer identificação cultural, nacionalista. O que fez os homens perceberem que, no fundo, não são tão diferentes quanto imaginaram. E, todos juntos, puderam os homens expulsar os alienígenas.
Durante algum tempo o mundo viveu uma paz desconhecida até então. Estavam todos no esforço de reconstrução do planeta, que havia se transformado em grande campo de guerra.
A ideia que predominava agora era a distribuição justa dos recursos naturais e intelectuais. O homem passou a acreditar, pela primeira vez, que quanto mais equilibrada fosse a distribuição dos recursos, melhor seria a chance de os homens conseguirem combater outra invasão alienígena caso viesse a se repetir. Assim, durante alguns anos o mundo foi inteiramente reconstruído de forma equitativa, e o conhecimento deixou de ser propriedade, passou a ser desejável que qualquer técnica e conhecimento novos fossem espalhados a todos.
Com o passar dos anos, todavia, e a ausência de outras ameaças extraterrestres, os homens começaram a ficar impacientes: e se eles nunca mais viessem? E essa especulação, pouco a pouco, tornou-se uma realidade palpável. Os ETs pareciam coisa do passado, não haveriam de voltar. E com a convicção de que não mais seriam incomodados por presenças estrangeiras, os humanos puderam voltar a guerrear entre si em paz...

Hóspedes