01/08/2012

A decisão Trabalho-Lazer

Se você conversar com a Micro,
certamente te dirá
que trabalho gera desprazer.
Mas pergunte ao provérbio chinês,
mais sábio, mais antigo,
e diferente irá dizer.

Dirá que o dia em que encontrar
o que realmente te dá prazer,
não precisará mais trabalhar,
pois trabalho será lazer.

Existo, logo penso.
Nada mais natural.
Estranho seria não buscar respostas,
aceitar as hipóteses postas e não questionar.

Afinal, os modelos imitam o mundo
ou o mundo imita os modelos?

A explicação etimológica
trabalho = tripalium,
é transformada em uma lógica:
equilíbrio, igualdade, maximização.

Não há espaço para anacronismo,
pois o homem é atemporal.
Segue sempre a racionalidade,
maximizando, mas, só não pergunte o quê.

Quem sabe um dia re-invento a Micro
e grito para o mundo inteiro:
"Trabalho não gera desutilidade!"

Quem sabe, ao menos, escrevo um artigo,
um capítulo, um livro...
Transformo este poema,
com um filhote de pensamento,
em uma nova teoria?

Da nova Micro, uma nova Macro.
Da nova Macro, uma nova Micro.
Deixando os efeitos de retroalimentação à vontade,
para mostrar que nossa ciência não opera em um sistema fechado.

23/07/2012

O ponto de Polônio

Quero salvar o mundo,
mas fico contente
se puder salvar a mim.

Sonho alto, sonho baixo.
Quero a terra e quero o céu.
Quero ser o que puder.
Quero ser, só.

Vivendo no ponto de Polônio,
de Varian apud Shakespeare,
nunca peço nem empresto.
A cada conto ganho um conto gasto.

Vivendo em equilíbrio,
consumo igual à dotação,
fazendo poesia com a Micro,
buscando, da poesia, a cotação.

Sou Polônio e não me importa
qual o preço relativo, *
pois minha estabilidade
é o meu maior ativo.



* Preço relativo: leia-se preço relativo de T1 em relação à T2, ou seja, a taxa de juros.
A ressalva que alguns podem fazer é que teoricamente Polônio poderia deixar de igualar consumo e dotação dependendo de mudanças da taxa de juros. Apenas teoricamente, pois, se Polônio é definido, por Shakespeare e por Varian, como o homem que sempre iguala dotação e consumo em cada período do tempo, então para ele não importa a taxa de juros, como diz a última estrofe da poesia.
Enfim, a curva de utilidade mais alta para Polônio sempre é aquela que tangencia sua dotação, por definição.



15/07/2012

Marcelo



Marcelo, meu amigo camarada,
eu hoje, mais que nunca, 
te abraço, viro irmão.

Sei que estivemos juntos
em tantas gargalhadas.
Mas hoje, nossos prantos
celebram nossa comunhão.

A bossa nova, nossa trilha,
nunca foi tão melancólica.
Mas um dia, certamente,
voltará a alegrar.

É hora de deixar a ferida cicatrizar,
posto que a marca nunca irá sair.
Mas tudo na vida se aprende a lidar.
Mesmo no choro é possível sorrir.

Então, amigo-pai-irmão e mestre,
vamos sair de mãos dadas.
Enfrentar a impossível vida,
fazer, com maestria, a jornada.

07/07/2012

O rei Artur



No dia em que tentaram 
pegar o rei Artur,
primeiro enfrentaram
a sua linha de peões.


Eu um peão calado,
que só sabe compor.
Se for sacrificado,
sei é para te proteger.

A vida imita o jogo,
uns ficam e outros vão.
A vida é um jogo
Que nós não podemos vencer.

Movemos nossas peças,
tentando dominar
o centro do tabuleiro,
a estratégia é não parar.

Sempre que eu estiver
na batalha com você,
será o rei e eu peão,
sempre a te proteger.

Então me chame amigo-rei
para a partida que quiser.
A sua ordem é meu abrigo
e o seu comando minha lei.

30/06/2012

Brothers and Sisters


It doesn`t matter how much money you've got,
for all the gold in the world
won't cure your blindness...

You are so vain about how rich you are, aren't you?
You probably think this poem is about you. You're so vain!
But, in your vein, flows not royal blood,
for there is no such thing.

What really puzzles me is:
How can you be part of the problem
and think that you are part of answer?

Can`t you realize that:
WE ARE LIVING IN A SOCIETY!

Quoting Costanza,
philosopher of real life,
I`m just trying to give you
some piece of advice.

We're brothers and sisters,
we should share this world.
But that kind of justice
you may never know.

12/06/2012

Natal

Surge, enfim, em mim,
razão para buscar,
algures,
a justa medida de tudo.

Quero que me acompanhe,
pois sei que não há,
nenhures,
alguém como você.

Nosso natal pode ser
João Pessoa ou Porto Alegre.
Rezo apenas para os deuses:
Que ele comece breve!

Na alegria ou na tristeza,
haja tpm ou não,
quero sempre estar contigo.
Peço hoje sua mão.


Hóspedes