Conversando com o porteiro do prédio:
Ele: Já conheceu a cidade?
Eu: Havia vindo em dois carnavais em Recife e tive a chance de conhecer alguns pontos turísticos.
Já tem 15 dias que estou morando aqui e procurei apartamentos em Imbiribeira, Boa Viagem, Parnamirim, Várzea e Cidade Universitária, e fiz tudo caminhando, então deu para conhecer um pouco. A Av. Caxangá, por exemplo, já caminhei toda várias vezes. Enfim, não posso dizer que conheço bem ainda a cidade, é uma cidade muito grande, né?
Ele: É... O problema daqui é a violência... Primeiro lugar no Brasil!
Eu (nota mental): Já vi esse filme antes...
Eu (nota mental 2): Dizer que uma pessoa que assalta é violenta é uma ideia elitista e que não leva em consideração nossa desigualdade social. Quem assalta é vítima da violência, parece que a força do capital inverteu nossos valores...
______________________________________________________________
(10 dias antes...)
Após conhecer um apartamento em Boa Viagem entro no elevador e bato um papo com um vizinho em potencial:
Ele: É morador novo?
Eu: Vim conhecer o apartamento.
Ele: Gostou?
Eu: Sim, a vista é sensacional! Vista pro mar!
Ele: Ah... Tu tem que ver o meu! É de frente pra praia, tu olha da janela e vê aquele marzãããããão!
Olhando para um lado tu vê até "não sei onde" e olhando para o outro lado tu vê até "também não entendi o que ele disse".
Se aprendi algo do povo recifense, provavelmente ele disse que para esquerda os olhos dele alcançam João Pessoa e olhando para direita, com uma pequena dificuldade, é capaz de ver Maceió...
10/12/2012
05/12/2012
O primeiro retrato de um povo
O primeiro retrato de um povo é apenas uma foto entre muitas que
poderiam ser tiradas; mas, o fotógrafo
espera fazer um registro que simbolize aquele povo, sem estereotipá-lo.
Naturalmente, um povo é um álbum e, não obstante, para algumas figuras ecléticas
que se encontram por aí poder-se-ainda-ia dizer que são fotos que nunca foram
batidas.
A minha primeira imagem do povo recifense é de um povo MEGALOMANÍACO,
sem exageros.
Recife é a versão nordestina de Itu. Se um representante do Guinness
Book conversar com um recifense, desejará fazer uma versão do livro só para a
cidade. Aparentemente, a capital do nordeste é detentora de vários recordes com
os quais ainda não estou familiarizado, como a maior avenida em linha reta do
mundo. Fosse recifense, diria que a cidade é recordista mundial em recordes.
Tudo aqui é maior; a menor avenida do mundo, onde estou hospedado, é
tratada como a avenida mais compacta do mundo, de forma que até as pequenas
coisas tornam-se as maiores, basta mudar a perspectiva.
De todas as estórias que ouvi aqui, pelo menos uma me pareceu bem razoável.
Durante um agradável passeio dominical de fusca pelo recife antigo, Adenildo me
apresentou os dois principais rios da cidade: Beberibe e Capibaribe.
Em qualquer canto de Recife sabe-se, e não há nenhum exagero nesse fato
estilizado, que os dois rios são tão grandes, e o volume de água que deles
emana é tão impressionante, que eles se juntam para formar o oceano atlântico!
Paro por aqui, pois, se quisesse contar todas as façanhas da cidade,
provavelmente escreveria a maior crônica do mundo.
20/11/2012
Amor Incondicional
Amor incondicional
A me colocar
Nos confins de minha consciência,
Entre o sentir e o pensar.
Sangue do meu sangue,
Porque
pensamos tão diferente?
És
a ferida que amo.
És o reduto da desigualdade que o Brasil proclama.
És a injustiça fardada em beca.
És,
a um só tempo, meu repúdio e minha meca.
16/11/2012
Em 2014 vou torcer para a Argentina!
"Sociologia do Futebol - Richard Giulianotti (2010)"
"O autor de sátiras romano, Juvenal, foi quem primeiro desenvolveu a tese de que oligarquias políticas podiam ser sustentadas fornecendo pão e circo (panem et circenses) para as massas (...) Umberto Eco pergunta a respeito de sua Itália nativa: 'A luta armada é possível no domingo da Copa do Mundo? É possível ter uma revolução em um domingo de futebol?' (...) Em Portugal, durante a revolta para depor o regime de Salazar, em 1974, o número de pessoas presentes nos jogos de futebol foi reduzido à metade - indicando que envolvimento com esportes e agitação política eram duas práticas mutuamente excludentes" (GIULIANOTTI, 2010, p.32).
Para além de invocar, de maneira leviana, a lógica panis et circenses, gostaria de pontuar que a reedição do "maracanazo" me faria sorrir de orelha a orelha.
Há vários críticos ao pensamento de Juvenal, argumenta Giulianotti, e o futebol em alguns momentos foi uma empresa com externalidades positivas sobre o campo político. Durante o apartheid sul africano, o futebol teve suma importância para a organização dos africanos, que tinham grandes dificuldades de se reunir para debater os rumos de seu país. Outro argumento é de que "o jogo jamais consegue eliminar o conflito causado pelas grandes desigualdades de riqueza. Em algumas ocasiões, os clubes de futebol foram organizações de vanguarda para promover a democratização do Brasil" (ibid, p.32).
Portanto, não obstante seja simplificação grosseira afirmar que o futebol é o ópio do povo, creio ser possível argumentar que há uma associação inerente entre os resultados da seleção nacional e o sentimento que os indivíduos de um país têm de suas instituições.
O futebol não é pão e circo, mas, muito menos, um instrumento de conscientização política.
Quando respondemos às questões de forma binária geralmente nos equivocamos, Aristóteles iluminou nossa realidade mostrando que devemos refletir todas as questões buscando o caminho do meio.
Mas, se tivesse (E TENHO) que me posicionar sobre qual desses extremos caracteriza o esporte em suas relações sociais, fico com a primeira alternativa, e, como corolário:
En 2014 soy hincha de argentina!
10/11/2012
(43 -49) I bring my tale to a close
This week I’ll post miscellaneous comments about Robinson Crusoe’s final chapters:
1)
Economies of scale:
“I had now been
on the island twenty-seven years. My man Friday had been with me about two
years, and these had been the happiest of my life. I had everything to make me
comfortable and happy”.
If Robinson and
Friday had worked together, we should except economies of scale, for their average
cost to product should diminish as two workers can handle harvesting much more
efficiently and so forth. However, since Friday became Robinson’s servant
rather than his friend, and wouldn’t let his master do any of the hard work, at
the end we cannot argue that there were scale efficiency gains.
2)
Keynes and Functions of Money:
“And so, on the 19th of
December, 1687, we set sail for England. I had been on the island twenty-eight
years, two months, and nineteen days. I took on board with me the money that
had been by me so long and had been so useless”
When Robinson kept this money I found it
extremely curious. That made me think about the intrinsic value of money that
Keynes has pointed, and how people valuate money independently of the goods it may
buy. However, once Robinson left the island all that gold (money) that he kept
made sense, for Keynes has pointed other functions of money, including its role
as store of value over time.
3)
Brazil, Sugarcane and Tobacco
“By chance I learned that my plantation in
Brazil was doing well. The man whom I had left in charge of it had made much
money from the tobacco he had raised. He was an honest man, and when he heard
that I was still alive he wrote me a long, kind letter (…) he also sent me a
large amount of money”
Prior to being cast away on the Island,
Robinson lived in Brazil for a short while. Actually, the reason he was cast away
was exactly an attempt to buy slaves for his production in Brazil. He bought
some land and noticed that it was very fertile and it would be easy to grow
sugarcane and tobacco. Twenty-eight years later his predictions were met.
If only economists were as good in
predictions as our friend Robinson…
4)
Idleness doesn’t suit Protestantism
nor Robinson:
“I was now a rich man. I might have
settled down to a life of ease and idleness; but such was not my wish. Soon I
was wandering from one place to another, seeing much more of the world. I had
many surprising adventures, I assure you; but I need not tell you about them.
You would think any account of them very dry reading compared with the story I
have already related. And so, looking back with regretful memories to the years
which I spent on my dear desert island, I bid you a kind good-bye.”
09/11/2012
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