O senso comum, em síntese, tem ojeriza à economia de mercado, e demanda um Estado maior, ao mesmo tempo em que sabe que quanto maior o Estado mais corrupção.
As regras estão postas e são bastante simples de entender, porém difíceis de solucionar. Todavia, parecemos não querer discutir as externalidades dos mercados e dos políticos, só assim poderemos equacionar esse problema de forma a minimizar os custos desse processo, que evidentemente se apresenta dificultoso.
Ensaio 2 - Da Marcha.
Irmãos, vamos ir com mãos entrelaçadas.
Fechem os olhos e olhai uns para os outros,
Pois só sem ver que se vê alguém mais.
Que suas bandeiras deem as mãos a cada balançar.
As causas são muitas, mas menos que as vozes.
Os gestos confusos, mas, se o caos está instaurado,
Um pouco a mais de desordem irá atrapalhar?
Marchem mensagens de paz e justiça.
Leve vinagre e revide não.
Com quanta paz se constrói uma canoa?
Com quanto amor se reinventa uma nação?
Ensaio 3 - Da Gestalt, Entropia e Caos.
Quando a multidão se encontrou percebeu que não é a soma das partes que faz o todo, mas, inversamente, que cada um ali presente estava sendo totalmente definido por aquele ambiente, aquela energia. Não havia uma única causa que fizesse cada indivíduo estar ali presente, e, por isso mesmo, o grupo não poderia ser definido à partir da agregação dos sentimentos individuais de seus componentes. Na verdade nenhum grupo pode, mas isso se tornou mais evidente nas manifestações que têm ocorrido nos últimos dias.
Mas o que fez a multidão se reunir?
Minha interpretação é que tínhamos um sistema com entropia altíssima e necessitando apenas de um pouco mais de energia para gerar uma desordem completa. Um pequeno aumento na passagem do ônibus, nesse contexto, pode ser suficiente para que o sistema entre em caos. Todavia, isso não é por si só suficiente para afirmar que o sistema não vá voltar logo para o equilíbrio, sem nenhuma modificação, aliás é essa a tendência.
Até o momento não há nenhum elemento que subsidie a possibilidade de crescimento e organização desse movimento. Por mais bela que seja a manifestação, é muito difícil imaginar que se colham frutos nessa empreitada. Profundas mudanças no Brasil só irão acontecer com décadas de lutas e reivindicações, com melhoria do sistema educacional público e com a ascensão de uma nova classe de políticos, que maximize o capital social e não o capital político.
Enfim, viver é melhor do que sonhar.
Mas sonhar é preciso.