30/11/2011

O caminho das índias.

Vamos achar o caminho
Que nos leva pra Índia.
Basta juntar uns trocados
Olhar para o câmbio e sorrir.

Somos dois virgens que sabem
Quase nada da vida.
Mas nem toda ignorância é burra,
Aprendemos o mais importante.

Sabemos que nada sabemos,
Tudo queremos desvendar.
Esquecer o que disse a católica,
Com Buda nos reinventar.

E quando acabar o dinheiro,
Voltar para casa mais ricos,
Um pouco mais sábios, quem sabe?
Num mundo mais simples, mais livre...



NAMASTÊ





24/11/2011

Força remador!

Céu de brigadeiro,
Lago de anil,
Vou remar o mar inteiro,
Numa ilha ancorar.

Vou sair e nunca mais voltar.

Finca o pé no Fincapé,
Bota o remo no lugar,
Faça força remador!
Não deixe a pá emborcar!

Remar sem saber pra onde,
Só olhando de onde vim.

Do calor ninguém esconde,
Mas boto o boné na água,
E o lago vem beijar
A testa bem de mansinho.

E seguindo o meu caminho,
Pelas águas a bailar,
Te convido pro meu ninho:
Venha comigo quem é do mar!









19/11/2011

O homem que copiava

Que ideia genial, a água vai virar vinho.
Vou sentar e beber champagne, agora eu sou o patrão.
Mudanças vieram, nem sempre se espera que elas possam acontecer.
Depois de tanto suor, viver a vida em pranto,
Encontrei o que faz do céu azul.
Sim, eu descobri o meu talento.
Papai já dizia: "Deus dá a todos um dom".
Virei especialista em mutações a laser,
Sou biólogo, geneticista, picareta e muito mais.
Aprendi a arte da transformação,
Papeis viram onças e tudo fica bem.
Sou a cópia do milagre da multiplicação,
A casa da moeda sou eu.

03/11/2011

Dia 11: Tutóia - Luís Correia

Em Tutóia, a cidade do camarão em potencial e do macarrão real, descobrimos que a estrada que tomaríamos rumo a Luís Correia estava alagada e intransitável. Depois do desafiador Maranhão ficamos mais cautelosos e resolvemos não arriscar. Maranhão de bicicleta traduz-se numa constante reformulação de planos.  Ali vale a frase que meu avô sempre dizia:
"Planejar é a arte de improvisar a cada instante". 
Aquilo que foi planejado ontem, hoje é impossível. E o que amanhã parece simples, será bem mais complicado. 
Vencemos o primeiro estado, não sem cicatrizes e sequelas, mas tudo vale a pena quando a duna não é pequena, como disse uma pessoa aí... Perdemos algum tempo, mas ganhamos mais do que poderíamos esperar.
Fomos para o porto da cidade e passamos cerca de 4 horas interrogando cada barco que ancorava sobre seu destino. Dos mais de 20 barcos entrevistados, apenas um seguia na mesma direção que nossas bicicletas, todavia a resposta não foi muito animadora:
"Estamos indo para o piauí, se quiserem podem ir com a gente, mas ficaremos 30 dias em alto mar antes disso".
Não tínhamos tanto tempo assim para pescar, e, finalmente, desistimos de seguir a barco, desmontamos nossas bicicletas e tomamos um ônibus.
Acaba hoje o Maranhão e começam os United States of Piauí, como diria Badi...

25/10/2011

Da janela

Olho da janela e vejo tanta perna a caminhar.
Para onde toda essa gente vai?
Pois não é possível que todos tenham algo a fazer.
E eu querendo cada um desvendar.

Hoje o sol saiu,
É domingo e nem

Precisa trabalhar não há
Qualquer razão para mover,
O que faz toda essa gente girar
Em torno de suas próprias vidas?
Não há como justificar
Sair de casa num dia assim.

Lar, doce lar, onde vejo tanta gente
No universo paralelo da razão.
Sem motivos, sem destinos, iludidos
Que o caminho só se forma ao caminhar.

19/10/2011

Dia 10: Paulino Neves - Tutóia



Hoje o pedal foi bem tranquilo, 36 Km de estrada, só na manha. Finalmente a areia deu lugar ao chão, pedalamos numa média de 13 km/h. 
Saímos 11 horas da manhã e chegamos por volta de 16, atrasamos a saída em algumas horas como de costume.
Paramos numa venda para água e sombra entre 13 e 15, tomei 1 litro de "coca" já que era a única coisa disponível e eu já estava com alguma fome.


Tutóia nos foi anunciada (por nossas pesquisas ao google) como a cidade do camarão,
e nossas expectativas vinham se amontoando em torno desta cidade e de nosso jantar em potencial, que nunca iria se concretizar por chegarmos à cidade numa época em que o camarão estava em falta. 
Mas, como diria o ditado que nunca ouvi: "Quem não tem camarão come macarrão".
Que assim seja.
De agora em diante temos apenas estrada pela frente, e o pedal promete ser mais rápido e fácil.
Nos encontramos muito próximos à fronteira com o Piauí, e deixaremos o Maranhão para trás em breve, embora o Maranhão não nos vá deixar tão cedo.
As dunas são areias passadas...

A igrejinha na praça da vida que passa...


Hóspedes